Arte urbana preserva marcas da rua ao chegar às galerias
Mudança de suporte altera tempo e acabamento das obras, mas mantém spray, stencil e referências formadas no espaço urbano.

A passagem da arte urbana para ateliês e galerias não apaga a origem construída nas ruas. Técnicas, materiais e modos de composição preservam referências do grafite mesmo quando o trabalho deixa o muro e passa a ocupar um espaço expositivo.
O movimento de levar o grafite às galerias acompanha a própria história da linguagem. No fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980, a produção feita em trens e espaços urbanos de Nova York ganhou força cultural e chamou a atenção do circuito de arte.
O ambiente de criação muda esse processo. Na rua, o trabalho muitas vezes precisa ser executado rapidamente. No ateliê, o artista dispõe de mais tempo para pesquisar, testar materiais e refinar a obra antes da exposição.
Spray, stencil e outras marcas visuais mantêm a ligação com a cidade. A obra pode assumir outro suporte e outro acabamento sem abandonar a bagagem desenvolvida no espaço público.
“A arte não precisa ser necessariamente bela e não precisa ser fácil de ser digerida.”
Disse William Pimentel.
A interpretação do público também participa da experiência. Uma obra pode despertar admiração, incômodo ou dúvida, e cada visitante acrescenta uma leitura própria ao que encontra na galeria.
Na pesquisa apresentada em Entre Tramas, Pimentel aproxima stencil e renda. As duas técnicas constroem imagens a partir de vazios: o corte abre espaço para a tinta no stencil, enquanto os pontos da renda desenham a composição ao redor das áreas abertas.





